quarta-feira, 1 de março de 2017

Abandono compromete estrutura do antigo Forte de Porto de Pedras

Tombado em 2006 pelo governo do Estado. Tombando, caindo aos pedaços em 2015 pelo esquecimento. Essa é a triste situação da Cadeia Pública / Forte de Porto de Pedras, no Litoral Norte de Alagoas. O histórico imóvel construído em 1630 definha ao relento. Sem nenhuma manutenção ou obra de restauração, o prédio pode desabar.
Na semana passada, uma chuvarada foi suficiente para fazer ruir o combalido telhado do prédio. “Minha irmã estava sentada ali na frente, quando tomou um susto grande. O telhado desabou e o estrondo foi grande”, contou a dona de casa Rafaela da Silva Santo, moradora da Rua da Fonte, ao lado da Cadeia Pública desativada.
O histórico prédio – parte de um antigo forte – foi erigido pelos portugueses, destinado à defesa de Porto Calvo durante o período das invasões holandesas. A fortificação dificultava o acesso dos navios inimigos ao Rio Manguaba, em direção a Porto Calvo, onde se concentrava o grosso da produção açucareira.
Quando o governo do Estado anunciou em 2006 o tombamento do Forte de Porto de Pedras, transformado em Cadeia Pública, foi grande a euforia da comunidade. Paralelamente, sondagens e escavações descobriram sítios arqueológicos, a exemplo do Patacho, onde foram encontrados artefatos e resquícios do século 18 e 19.
O prédio seria restaurado e abrigaria um museu com as relíquias encontradas durante as escavações, além de servir como biblioteca pública municipal. Para isso, a delegacia e o Grupamento de Polícia Militar (GPM), unidades que ali funcionavam, foram transferidos para imóveis cedidos pelo município. A antiga Cadeia Pública ficava, então, à espera da restauração, que nunca veio.
“Falaram que isso aqui seria um museu, mas até agora nada”, lamentou a moradora de Porto de Pedras. Do lado de fora, já é possível enxergar as rachaduras que cortam o prédio de cima a baixo. O risco de desabamento é evidente. Mesmo assim, as pessoas trafegam normalmente pela calçada do imóvel, na Rua Vigário Belo, que sequer foi isolada. Um risco!

Promessa

Em 2013, o então secretário de Estado da Cultura, Osvaldo Viégas, anunciou, durante a realização do programa “Governo Perto de Você”, em Porto de Pedras, a instalação de três equipamentos culturais que iriam fomentar a atividade turística na região Norte do Estado, dentre os quais, o museu que funcionaria no prédio da Cadeia Pública.
De acordo com ele, os recursos para revitalizar os equipamentos seriam da ordem de R$ 4,8 milhões, provenientes do empréstimo feito pelo governo do Estado ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O anúncio foi feito durante reunião com os secretários municipais de Cultura e acompanhada pelo então governador Teotonio Vilela (PSDB), em solenidade realizada no Clube Municipal.
Além da restauração da Cadeia Pública, estavam previstas a consolidação das ruínas do Mosteiro de São Bento, em Maragogi, e a transformação em museu da casa onde nasceu o dicionarista Aurélio Buarque de Holanda, em Passo do Camaragibe. O projeto ficou no papel.
 “O governador cumpriu 90% das promessas que fez para Porto de Pedras, mas infelizmente ficou essa pendência (restauração da Cadeia Pública). Vamos conversar com a nova secretária de Cultura (Mellina Freitas), informa-la sobre a situação e pedir a restauração porque o município não pode e não tem condições de arcar com essa obra”, declarou o secretário municipal de Cultura de Porto de Pedras, José de Moraes Neto.




Secult

A Secretaria de Estado da Cultura (Secult), em sua nova gestão, informou que vem desenvolvendo um planejamento inicial de ações em diversos campos culturais, incluindo o levantamento das condições físicas do Patrimônio edificado alagoano para, a partir do cumprimento desta etapa, desenvolver projetos arquitetônicos interventivos e atribuir um uso social a estes imóveis, garantindo assim a preservação.
Segundo informou a assessoria da Secult, “a intenção é firmar parcerias junto aos municípios no sentido de que a municipalidade ocupe estes prédios, vindo a zelar pela manutenção e conservação destes imóveis, e garantir uma gestão continuada aos equipamentos culturais pretendidos”.



 SEVERINO CARVALHO  HTTP:/    GAZETAWEB.GLOBO.COM

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