terça-feira, 13 de outubro de 2015

A bandeira de Maceió e o brasão de armas



 Criado por Théo Brandão em 1957 A bandeira de Maceió e o brasão de armas, Dividida e m três faixas horizontais de igual largura na seguinte sequência, a partir de cima: verde, branco e azul. A faixa branca busca representar a restinga característica da orla de Maceió, com suas areias brancas. A divisa ondulada na cor vermelha, simbolizando o Riacho Salgadinho, que corta grande parte da cidade, que possui um aspecto barrento resultante do transporte de aluviões de suas margens. As faixas nas cores verde e azul aludem ao Oceano Atlântico e à Lagoa Mundaú, respectivamente. No centro há um disco branco contendo o brasão de armas do município,  português terciado em faixa, de sinopla, argente e blau. No 1º e no 3º uma jangada de argente e no 2º uma faixa ondulada de goles. Sobre ele, coroa mural de cinco torres visíveis (sendo oito no total) de ouro, indicando capital de estado. No topo da torre central, um pequeno escudete de argente carregado de um barrete frígio de goles. Como suportes, duas folhas de coqueiro, em aspas, de sinopla. Brocante, em listel de blau, a palavra MACEIÓ, em argente.

 Prof André Cabral

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.,com modificações 

domingo, 11 de outubro de 2015

A Genesis de Maceió

A opinião defendida pelos historiadores Alagoanos, que Maceió se originou de um engenho de Açúcar, de acordo com o professor Theodyr Agusto de Barros  “Apoiavam-se na tradição oral” por não possuir documentos que comprovem essa tese., mais existe, contudo um documento histórico, (escritura), na qual Gabriel Soares  da vila de Santa Maria Madalena, representado seu Pai Diogo Soares da Cunha, doar  um lote de terra a Manoel Antônio Duro, segundo Craveiro Costa, esse documento faz  referencia  uma casa de telha , existente na época na enseada da Pajuçara .“As terras tinha uma extensão na ocasião  de oitocentas braças ia da costa até encontrar o rio Mundaú”; 1708, segundo Craveiro Costa as terras  passaram para o capitão Apolinário  Fernandes   Padilha  Para Manoel Antônio Duro dono do engenho  Maçaió


O engenho e o Porto

De fato em torno do engenho foi se formando um povoado depois vila e se configurando a cidade  de Maceió, conforme  os relatos o engenho que deu origem a cidade de Maceió ficava em uma colina próximo  ao riacho Maçaió ( hoje salgadinho),  junto a Jaraguá(ancoradouro) tem sua origem no escoamento da produção de açúcar, se desenvolveu um intenso comercio, impulsionado  por gente que vieram de varias partes, que montaram seus estabelecimentos, se utilizavam do porto para fugir da obrigação dos impostos, visto que o Porto do Francês  era cobrado os tributos, um aspecto  que colabora para essa tese,  conforme Craveiro costa em 1850,quando das escavações para construir  que paredão existe  nos fundos da assembleia legislativa, foi encontrada um boca de fornalha  passa a ideia que o engenho foi erguido nesse local. A fabrica (engenho) tinha o nome banguê, logo depois recebeu o nome de Maçaió, o engenho se localizava no planalto da Jacutinga, hoje é o Bairro do farol, a subida da ladeira da catedral.                    
Já o professor Theodyr Agusto de Barros afirma em seu livro (o processo de mudança  de capital Alagoas Maceió)  “o crescimento  urbano de Maceió e sua extensão até esse  zona portuária”, A partir dessas constatações intuímos que a origem de Maceió se configurou, entre a atual praça D. Pedro II (centro da cidade) e o atual Bairro de Jaraguá, sendo o porto de Jaraguá o incentivador  da evolução de povoado a vila.
Povoado pertencia a capital da província santa Maria Madalena da lagoa do sul, atual  Marechal Deodoro em 5 de dezembro de 1815, o município foi desmembrado do município de Alagoas Fruto do desenvolvimento do povoado, levando em consideração as informações ouvidor Batalha ,D. João VI  assinou o alvará em Em 29 de dezembro de 1816 ocorre a elevação da condição de povoado a vila, elevando a povoação a condição de vila,  possuindo duas data comemorativas
No contexto da emancipação política de Alagoas, com a chegada do então primeiro governador de Alagoas, Francisco de Melo Povoas, Maceió, passa a ter destaque político e econômico, em relação a  capital da província (Santa Maria Madelana da Lagoa do sul), de acordo com a afirmação do  Jaime de Altavila : ”pode-dizer que a capital das alagoas passou a ser  em  Maceió desde o dia em o primeiro governador, Francisco de Melo e Póvoas, quando saltou no porto de Jaraguá aos 27  de dezembro de 1818.


Os 200 anos de Maceió

Comemorando os 200 anos de seu aniversário , Maceió seu nome vem da língua indígena, Maçai-o- ok ou Massaya, cuja a tradução é o que tapa o alagadiço que nasceu de forma desordenada, no ponto de vista sua urbanização, sem planejamento, falta de saneamento básico, praias  poluídas e Problemas relativos ao abastecimento de água  e a violência Urbana .

Conforme Vinícius Maia Nobre: “Maceió é uma cidade que não teve planejamento, surgiu de um engenho pelo Porto, A ligação de um arruado que começou com um engenho, e o intercâmbio do Porto de Jaraguá, que precisava vir e foi crescendo. Então muitos erros aconteceram. Erros que precisam ser apreciados, para a gente conhecê-los e corrigi-los, com o planejamento”,mais apesar dos problemas  é lugar que vivemos  estão parabéns Maceió por seus 200 anos
.

Professor de História de Alagoas
André Cabral


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

História do Petróleo em Alagoas , (parte I)

A história do petróleo da Alagoas das primeiras perfurações que datam de 1920 e 1927, realizados em Garça Torta e Riacho Doce, na qual tinha vestígios de petróleo na profundidade   de 79 á 309 metros, o serviço  de produção mineral também perfurou em Ponta verde próximo onde ficava o extinto Gogo da Ema; segundo Lidonor Mota “as atividades de exploração  do conselho Nacional do petróleo , em Alagoas  tiveram início 1939, realizada pela United Geophysical Company S.A, entre Maio e novembro  realizaram a demarcação no Bairro de Bebedouro onde foram perfurados 4 poços secos”

Na segunda vez  entre 1949 e 1950 foi descoberto as áreas sedimentar  da interesse de petróleo  as áreas entre  do tabuleiro dos Martins,  Rio São Francisco, Maceió , Satuba e Fernão Velho e ponta Verde, realizada peal mesma United Geophysical  Company S.A 


O primeiro poço aberto em  Alagoas foi na praia de ponta verde, um reservatório de Gás e petróleo ; conforme Lidonor Mota “ As perfurações seguinte tivessem sido repetidas nas vizinhanças, teríamos um campo de petróleo  em ponta verde , foram perfurados numa profundidade  2.145 metros próximo do extinto coqueiro Gogó da Ema, não logrando êxito , ocorreram quatros outros poços perfurados ao redor Lagoa  Mundaú ( levada e Bebedouro) , tinha Gás e petróleo , não houve produção .


Quando andamos na orla marítima da Ponta verde próximo ao antigo clube Alagoinha quando  da vasão da maré está baixa nós deparamos ao lado do farol  (sinalizador marítimo), com uma base de concreto com uma haste  de ferro, Esse elemento descreve  um poço de petróleo no mar cerca de 400 metros, apresentando na época  apenas vestígios  de petróleo, o autor  afirmar em seu trabalho na época  a ponta verde ”quer seja em terra  ou água  um possível campo petrolífero num futuro”. 

André Cabral- Historia de Alagoas

terça-feira, 14 de julho de 2015

Além de um prédio: o símbolo da memória cultural de Alagoas

A memória alagoana prestes a ser jogada no lixo. De repente, um estalo e tudo desmoronam deixando para trás uma história de dignidade, formação, conhecimento,  cultura. Infelizmente é assim que as coisas acontecem neste Estado, onde a memória e o patrimônio histórico são jogadas cotidianamente na lata do lixo.
Aqui se fala das atitudes governamentais em relação ao prédio da Secretaria Estadual de Educação. Trata-se a estrutura física maltratada pelo descaso e pela omissão como se fosse apenas um bem material que pode ruir, como qualquer outro, para dar lugar a quem sabe mais camelódromo na cidade de Maceió.
A verdade é que o prédio da Educação é muito mais do que pensam os gestores apressados em derrubar o resto, uma vez que já começaram pelo muro. A estrutura ali existente simboliza a própria educação.
Enterrar a história tem sidouma praxe de governos.
Lá funcionou o antigo Liceu Alagoano. Por lá passaram várias gerações que hoje representam a inteligência desta terra. Depois do Liceu foi o Colégio Estadual de Alagoas, para só em seguida ser a Secretaria Estadual de Educação.
E quantos mestres frequentaram as salas de aula do Liceu e do Colégio Estadual para transmitir conhecimentos  aos profissionais de hoje que fazem sucesso no mercado daqui e de outros Estados? Médicos, engenheiros, arquitetos, advogados, professores, enfim profissionais diversos que passaram pelas mãos de educadores como Deraldo Campos, Pe. Luiz Gonzaga Pontes, Sílvio de Macedo, Paulo de Albuquerque, José Silveira Camerino, professores Petrônio, Sady, Ceci Malheiros, entre outros bem anteriores a estes.
O que está indo para o ralo é a memória que toda essa gente construiu com orgulho. Passa-se à sociedade por meio de um discurso oficial que o prédio descartável, por que está velho e vai custar R$ 13 milhões para ser recuperado.
O próprio governador falou que é preciso construir um novo prédio. Que se construam 10 novos, mas é preciso preservar com dignidade a memória cultural desta terra que, costumeiramente, e vilipendiada por decisões estaparfúrdias.
E a preservação só será assegurada se houver uma reação da sociedade. Ex-alunos, ex-professores, ativistas culturais, OAB, conselhos profissionais, enfim, todos que valorizam a história e a cultura de um povo. Mas, se nada fisso for considerado importante então deixem que a ignorância tome conta de tudo.
MARCELO FIRMINO
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domingo, 5 de julho de 2015

De gabinete a Biblioteca pública


A chegada da Família Real ao Brasil, em 1808, trouxe consigo não apenas os membros da corte portuguesa, mas também uma série de costumes e preceitos cultuados na Europa. Um deles foi a expansão dos gabinetes de leitura, que, de ambientes restritivos a determinadas famílias, tornam-se espaços públicos de socialização e leitura. Assim começa a história da Biblioteca Pública Estadual.

O primeiro gabinete do tipo em Alagoas foi instalado em 1856, por José Correia da Silva Titara, graças à doação de livros feita por Melo Moraes, então diretor da Instrução Pública. E ele ficaria assim por quase dez anos, segundo a professora Maria de Lourdes Lima, docente do curso de Biblioteconomia e do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal (Ufal).

“Na década seguinte, o deputado provincial Thomaz Espíndola encaminha à Assembleia Legislativa um projeto de criação da Biblioteca Pública, em maio de 1865”, diz ela. “Só em 1867, o acervo do gabinete de leitura, com mais de três mil volumes, passa a pertencer à Biblioteca Pública Provincial. Na justificativa de seu projeto de lei, Espíndola alegava que o gabinete de leitura estava fechado sem utilidade”.



Por: LARISSA BASTOS - REPÓRTER GAZETA DE ALAGOAS

sábado, 28 de março de 2015

Arqueólogos realizam visita técnica a forte holandês descoberto em Porto Calvo

Mário Aloísio e Marcos Albuquerque inspecionam área na Ilha do Guedes
O superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Alagoas, arquiteto Mário Aloísio, anunciou, neste sábado (28), a construção de um parque histórico e de um museu arqueológico no Reduto Ilha do Guedes, em Porto Calvo. O primeiro passa para o projeto é restaurar o fortim de terra identificado pela pesquisa arqueológica sobre a movimentação e ocupação holandesa / ibérica do rio Manguaba no século XVII, entre os municípios de Porto Calvo e Porto de Pedras, na região Norte do Estado.
Pela manhã, o superintendente do Iphan e arqueólogos que realizaram a pesquisa fizeram uma visita técnica à área onde foi identificado o fortim, uma construção holandesa de 1640. O Reduto Ilha do Guedes é a única estrutura fortificada preservada, morfologicamente, no Estado de Alagoas, conforme o estudo.
Os fortes e redutos construídos em terra foram comuns ao longo dos séculos iniciais da colonização. Mas, praticamente desapareceram ao longo do tempo.
“Há poucos fortes de terra identificados no Brasil e tão bem conservados como esse. Aqui, ele foi edificado estrategicamente à margem do rio Manguaba, de modo que se algum barco fizesse a curva do rio, já encontraria a boca de fogo do fortim. Trata-se de uma descoberta importantíssima não só para a história de Porto Calvo, mas do Brasil e da Europa”, considerou o arqueólogo Marcos Albuquerque, que coordenou a pesquisa iniciada em 2013 e finalizada no ano passado.
Mário Aloísio e Marcos Albuquerque inspecionam área na Ilha do Guedes
O Rio Manguaba servia de “estrada maior” por onde circulavam as caixas de açúcar com destino à Europa. Seguiam em barcaças até Porto de Pedras e daí a portos maiores onde se concentrava o grosso do produto a ser “exportado”. O fortim ocupa uma área de 472,37 m² e possui quatro pontas, um fosso e a praça de armas.
“Foi constatada a quase inexistência da materialidade desta ocupação. Esta constatação estimulou nossa equipe a ir mais longe, a procurar vestígios, a pisar caminhos outrora utilizados pelas tropas, tanto holandesas como luso-brasileiras, a entender todos esses espaços que tendem a desaparecer fisicamente, como já desapareceram boa parte da história alagoana e brasileira”, relatou Albuquerque.
De acordo com a pesquisa do Iphan, o Reduto Ilha do Guedes foi também o provável acampamento do almirante Jan Lichthardt, que comandava as tropas holandesas ali instaladas.
Em Porto Calvo, entre  1637 e 1645, ocorreram cercos e refregas que alternaram a posse do lugar, até que a campanha conduzida pelo conde Maurício de Nassau, após batalha decisiva, o conquistou, expulsando as tropas ibero-brasileiras para a Bahia, até a Batalha dos Guararapes (1648 / 49), que pôs fim às ocupações holandesas no Brasil.
“Se para os portugueses a grande Batalha foi a de Guararapes, para os holandeses o grande triunfo aconteceu aqui, na área que compreende os municípios de Porto Calvo e Porto de Pedras”, destacou o superintendente do Iphan em Alagoas, citando as batalhas de Mata Redonda (Porto de Pedras) e Comandatuba (Porto Calvo).
 A pesquisa arqueológica identificou ainda outros dois fortins em Porto Calvo e ratificou a existência de uma fortificação portuguesa no Alto da Força, onde hoje se encontra instalado o Hospital Municipal São Sebastião.
Pesquisa arqueológica partiu da cartografia da época para a realização das sondagensPesquisa arqueológica partiu da cartografia da época para a realização das sondagens

O local também é conhecido como “Alto da Forca”, onde Domingos Fernandes Calabar foi morto por garroteamento e esquartejado pelos portugueses, acusado de traição. Segundo Mário Aloísio, a ideia é transferir o hospital para outra área e, em seu lugar, construir o Centro de Estudos Arqueológicos.
“Para tocar esses projetos, vamos em busca de recursos e de parcerias, uma delas será com o Centro Nacional de Arqueologia. O primeiro passo agora é restaurar o fortim da Ilha do Guedes”, afirmou Aloísio.
O superintendente do Iphan revelou, ainda, que a área onde foi identificado o fortim, na Ilha do Guedes, está em processo de doação ao município. À prefeitura, foi solicitada a proteção do terreno com a instalação de uma cerca com um raio de 80 metros.
A descoberta do forte foi mantida em sigilo desde o ano passado e sua existência só revelada durante o 1º Fórum de Arqueologia em Alagoas: Período Ibérico/Holandês, realizado na cidade de Penedo, esta semana. Teme-se que a descoberta atraia caçadores de tesouros ao local, o que provocaria danos irreparáveis ao sítio arqueológico.
Botijas
Albuquerque lembrou que muitos moradores da região sofrem da “Síndrome da Botija”, comportamento que surgiu com a descoberta de dois tesouros antigos em Maragogi (2004) e um em Japaratinga (2013). A maior parte das moedas antigas foram coletadas e vendidas clandestinamente pelos populares.
O arqueólogo, entretanto, fez questão de lembrar que no Reduto Ilha do Guedes não há nenhum tesouro a não ser o de valor histórico que é a própria edificação. Ele explica que, como os holandeses se renderam e deixaram o Brasil, tiveram tempo para levar tudo o que era de valor.
“Eles não iam deixar tesouros. Não faz sentido”, frisou o arqueólogo, observando que podem ser achados apenas resquícios da ocupação no entorno do forte, como objetos de uso corriqueiro da época e sem nenhum valor comercial.
O superintendente do Iphan informou, ainda, que vai manter contato com a Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural do Exército para que haja uma maior proteção aos sítios de uso militar identificados em Porto Calvo.

Pesquisa foi coordenada pelo arqueólogo Marcos Pesquisa foi coordenada pelo arqueólogo Marcos Albuquerque
O diretor municipal de Cultura, Adelmo Monteiro, classificou a descoberta do Reduto Ilha do Guedes como um marco para Porto Calvo e um capítulo importantíssimo da história do Brasil.
“Muitos turistas chegam ao município e vão ao Espaço Cultural em busca de informações daquele período histórico. Agora, teremos uma prova concreta para mostrarmos”, disse Monteiro, que coleciona relíquias como balas de canhão, espadas, fragmentos cerâmicos e patacões encontrados na região. Ele pretende expor todo o material no museu que será construído. Ainda segundo o diretor, a ideia é montar na cidade um roteiro turístico de visitação, passando pelas fortificações, os campos de batalha e a igreja de Nossa Senhora da Apresentação, datada de 1610 e tombada pelo Iphan. “Porto Calvo tem história pra contar, só faltava resgatá-la e isso está sendo feito agora”, finalizou Monteiro.


http://gazetawebmaragogi.com/

sexta-feira, 6 de março de 2015

A Revolução Pernambucana de 1817

Indomável Pernambuco: Em meados de 1817, Pernambuco hasteou sua nova bandeira declarando independência da coroa portuguesa. Instaurou-se um governo republicano com nova constituição, baniram-se os impostos e concedidas foram às liberdades de imprensa e religiosa. Dom João VI, enfurecido, despachou exército e marinha que acabaram por sufocar a revolução que havia se alastrado por todo o Nordeste. Todavia, os 75 dias de liberdade e igualdade perpetuaram profundas marcas no espírito do povo pernambucano.


Bandeira da Revolução Pernambucana de 1817, cujas estrelas representam Pernambuco, Paraíba e Ceará. Criada pelo Padre João Ribeiro de Melo Montenegro, ela acabou por inspirar a atual bandeira do estado pernambucano que é basicamente a mesma. Bandeira da Revolução Pernambucana de 1817, cujas estrelas representam Pernambuco, Paraíba e Ceará. Criada pelo Padre João Ribeiro de Melo Montenegro, ela acabou por inspirar a atual bandeira do estado pernambucano que é basicamente a mesma.

No início do século XIX, mais precisamente em 23 de janeiro de 1808 (há discórdia acerca desta data), Dom João VI e a família real portuguesa — fugindo das tropas do déspota francês, Napoleão Bonaparte — chegaram ao Brasil Colonial aportando na cidade de Salvador, na atual Bahia. Consigo, a família real trouxe considerável parte de sua corte, algo estimado em 15.000 pessoas. A inesperada chegada da corte ibera implicou em grandes modificações para a então colônia, como, por exemplo, a abertura dos portos, em 28 de Janeiro de 1808, e a criação do Banco do Brasil, em 12 de outubro do mesmo ano.
Entretanto, o clima de insatisfação para com o governo de Dom João VI era quase geral, vista a carga tributária que cada vez mais se elevava e a contraprestação do governo para com a população que era pouca ou mesmo inexistente. Deixando a cidade de Salvador de lado, o Rio de Janeiro passou por significativas mudanças, transformando-se no centro do império lusitano, o que o fez receber gigantescas somas de capital das demais regiões.
Impostos abusivos foram instaurados para a manutenção da corte que chegara ao país “desprovida” de seus bens, mas com a mesma pompa. Hospedagens, vestuário, banquetes, festas, etc., praticamente tudo teria passado a ser financiado à corte a partir de impostos cobrados das mais distantes regiões do país. Dentre os impostos malvistos, o que se referia à iluminação das ruas do Rio de Janeiro se destacou pela grande indignação causada à época.
O favorecimento dos cidadãos lusitanos em detrimento dos brasileiros também gerava bastante indignação por parte destes que se sentiam insatisfeitos e perseguidos. Os cidadãos portugueses ocupavam os principais postos de trabalho, seja na administração, seja no exército; os comerciantes portugueses, por sua vez, detinham regalias que aumentavam consideravelmente seus lucros.
Em Pernambuco, como em outras províncias, a insatisfação era grande, mas em nenhum lugar a revolta foi tão contundente: desde a expulsão dos holandeses, na Batalha dos Guararapes, em 1654, um ar de liberdade pairava sobre a província pernambucana que procurava se guiar. “Enquanto entre El Rei e os demais colonos prevaleceria uma sujeição natural, os pernambucanos manteriam com a monarquia um vínculo consensual, ao se haverem libertado dos Países Baixos mercê de uma guerra travada por seus próprios meios, havendo assim retornado à suserania lusitana de livre e espontânea vontade”. (TRACCO, 2007, p. 35)
Outros fatores decisivos foram as ideias vindas dos Estados Unidos e da Europa e a Grande Seca de 1816. Pernambuco detinha uma das maiores economias do Brasil e no seu porto, em Recife, mais do que mercadorias eram trocadas: os ideais advindos da independência norte-americana (1776) e da Revolução Francesa (1789) já eram objeto de discussão há tempo, principalmente nas sociedades secretas que se proliferavam. “Já haviam chegado, desde o fim do século XVIII, as sociedades secretas, como as lojas maçônicas. Em Pernambuco existiam muitas delas, como a Patriotismo, Restauração, e Pernambuco do Ocidente e do Oriente, que serviam como locais de discussão e difusão das ‘infames ideias francesas’”. (MULTIRIO, 2015, s/p)
Bênção das bandeiras da Revolução de 1817, de Antonio Parreiras.
Bênção das bandeiras da Revolução de 1817, de Antonio Parreiras.
Em 1816, uma grande seca arrasou as exportações de algodão e cana-de-açúcar de Pernambuco, ao passo que os impostos aumentavam trazendo desgraça aos seus residentes. Quando os ideais iluministas se juntaram à indignação diante dos impostos, o caldeirão revolucionário começou a ferver…
Deflagrada a Revolução Pernambucana
No início do mês de março de 1817, o português Manuel de Carvalho Medeiros encaminhou uma denúncia sobre suposta conspiração a José da Cruz Ferreira, o Ouvidor da Comarca do Sertão. Nos dias 4 e 5, Caetano Pinto de Miranda Montenegro, então governante da província pernambucana, buscou de todas as formas trazer o apoio da população afirmando que todos serviam ao mesmo soberano, discursou falas heroicas ao exército e pôs os diversos fortes recifenses em alerta geral.
Na manhã seguinte, dia 6 de março de 1817, Montenegro expediu ordem de prisão para encarcerar os suspeitos da conspiração. Acredita-se que ao menos 13 ordens de prisão foram expedidas, sendo as dos civis concluídas. Contudo, quando diligenciadas as militares, o tiro saiu pela culatra: o governador foi preso, alguns chefes militares mortos e a Revolução Pernambucana deflagrada. Inicialmente, seria apenas Pernambuco, depois, todo o Brasil deveria se livrar dos grilhões do governo português.
Interessante se enfatizar esta parte da revolução que, por seu valor histórico, transcrevo as palavras do Past Grão Mestre da Grande Loja Maçônica de Pernambuco, Francisco Bonato Pereira:

 Amanheceu o dia 6 de março de 1817, cujo sol, de forma propositalmente colocado na bandeira da revolução, iluminaria para a sempre a história do Brasil. Os militares procuraram dar desempenho às suas ingratas missões [prender os conspiradores]. (…)
[O brigadeiro] Manoel Joaquim Barbosa de Castro, português grosseiro, comandante do regimento de artilharia, para desempenhar a missão, ordenou que os oficiais se reunissem à certa hora no quartel e na presença de todos, insultou os oficiais, dizendo que os traidores se achavam no seu regimento. Domingos Teotônio Jorge protestou e recebeu ordem de prisão. No caminho da prisão no forte de Cinco Pontas, foi gritando: “traição! traição!” (Era a senha da Revolução).
José de Barros Lima, o Leão Coroado, devido ao seu valor e coragem, irou-se com o procedimento do general, censurando-o em público. E o assassinato do brigadeiro entrou nos planos da revolta. Mais arrogante depois da prisão Teotônio Jorge, Barbosa deu ordem de prisão a Barros Lima.
‘Pois morre, miserável!’ E de um ímpeto Leão coroado arrancou da bainha a gloriosa espada que fez rebentar a revolução de 1817 e que o Instituto guarda como relíquia, embebendo-a no peito do brigadeiro. Seu camarada e denunciado José Mariano completou a obra tirando a vida do comandante (…).” (PEREIRA, 2015, s/p, acréscimo nosso)
Logo no dia seguinte, dia 7, com direito à Lei Orgânica (Constituição) promulgada, foi implantado o governo provisório composto por um magistrado, um religioso, um militar, um comerciante e um fazendeiro: José Lúcio de Mendonça (magistrado), padre João Ribeiro (clero), Domingos Teotônio Jorge (militar), Domingos José Martins (comerciante) e Manuel Correia de Araújo (senhor de engenho).
Derrubaram o governador e implantaram um novo governo, decretando a extinção de impostos, a liberdade de imprensa e de religião e a igualdade entre os cidadãos. A Lei Orgânica, publicada pelo governo republicano à guisa de constituição, garantia a igualdade de direitos e de propriedade, inclusive de escravos, o que tranquilizava a elite local, mas descontentava alguns de seus líderes mais radicais, defensores do fim da escravidão”. (VINCENTINO; DORIGO; 2002, p.31)
Emissários foram enviados à Argentina, Europa e aos Estados Unidos, propondo acordos comerciais e pedindo reconhecimento. Uma bandeira foi criada e foi difundido o costume de chamar os cidadãos de “patriotas”.
O entendimento mais delicado sobre como a Revolução Pernambucana se pautaria implicava em seu próprio seio: Ao norte da ex-província, os produtores de algodão eram receptivos aos novos ideais políticos (muitos deles haviam estudado na Europa e nutriam os ideais iluministas e da revolução Francesa); já ao sul, no entanto, predominavam os decadentes e conservadores fazendeiros de cana-de-açúcar, os senhores de engenho, cujo interesse era preservar o sistema colonial, pois o açúcar pernambucano ainda tinha Portugal como principal freguês.
Diante dos tantos acontecimentos, a resposta de Dom João VI foi rápida e enérgica: despachou tropas por terra do Rio de Janeiro e de Salvador, a marinha portuguesa para bloquear e bombardear o porto e a costa pernambucana e algumas expedições para adentrarem no interior nordestino.Os revolucionários tentaram se defender por todos os meios, incluindo por meio de uma feroz guerrilha, mas, sem recursos para tamanha pressão, a coroa portuguesa retomou o controle: depois de 75 dias de liberdade sustentada por sangue, suor e lágrimas, a República Pernambucana sucumbiu diante dos mosquetes imperiais.


Pós-Revolução Pernambucana

A Revolução Pernambucana de 1817 foi um movimento liderado essencialmente por padres e militares, também conhecida como a Revolução dos Padres (pelo grande envolvimento do clero). Os líderes foram os maçons Domingos José Martins, Antônio Cruz (o Cabugá), José de Barros Martins (o Leão Coroado) e os padres João Ribeiro e Miguelinho. Todos os seus líderes foram sumariamente julgados e fuzilados Como castigo, as terras de Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte foram tiradas do território pernambucano e novos governantes nomeados.
Embora a Revolução Pernambucana tenha fracassado, profundas marcas foram cravadas: de 1817 até 1824, Pernambuco continuou exercendo seu instinto libertário dando início algum tempo depois ao que ficou conhecido como a Confederação do Equador (1824) — dessa vez guerreando contra os abusos de Dom Pedro I.
Posteriormente, Joaquim do Amor Divino Caneca, o Frei Caneca, que mais tarde se tornaria mais um herói sumariamente fuzilado de outra insurgência pernambucana — a Confederação do Equador —, declamou a Canção Pernambucana, da qual, tristemente, apenas o seguinte trecho nos restou:
Cidadãos pernambucanos
Sigamos de Marte a lida;
É triste acabar no ócio,
Morrer pela Pátria é vida.
Quando a voz da Pátria chama
Tudo deve obedecer;
Por ela a morte é suave,
Por ela cumpre a morrer.
O patriota não morre
Vive além da eternidade
Sua glória, seu renome
São troféus da humanidade.”

A Revolução Pernambucana de 1817
Eudes Bezerra.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Bandeira de Alagoas


A bandeira de Alagoas foi criada por meio da Lei Estadual nº 2.628, de 23 de setembro de 1963. O brasão simboliza as primeiras cidades alagoanas, Porto Calvo e Penedo, bem como suas riquezas agrícolas: a cana-de-açúcar e o algodão. As cores das faixas (vermelho, branco e azul), escolhidas por estarem presentes no brasão estadual, remetem à tricolor, simbolizando os ideais da Revolução Francesa: liberdade, igualdade e fraternidade.
Os escudos representativos das três vilas formadoras do Estado, as vilas de Alagoas (atual Marechal Deodoro), Porto Calvo Penedo, possuem também uma significação histórica e ao mesmo tempo geográfica e cultural.
Os três peixes tainhas postas em pala, isto é, uma por sobre a outra, representam as três principais e maiores lagoas da então povoação: a Lagoa Mundaú ou do Norte, a Lagoa Manguaba ou do Sul e a Lagoa de Jequiá, que fica isolada mais ao sul do estado próxima ao município de Barra de São Miguel. Representam igualmente uma das maiores riquezas da região: a pesca. Os ramalhetes verdes do brasão inserido na bandeira representam outras principais fontes de riquezas do estado: as culturas do coqueiro (Cocus Nucifera) e da cana-de-açúcar.
A estrela de prata de cinco pontas - posta no alto do escudo como timbre - é uma tradição da heráldica brasileira onde faz referência a uma das estrelas que estão no brasão e na bandeira do Brasil. Seu significado simbólico faz referência ao hino de Alagoas, demonstrando o estado como uma "estrela radiosa que reluz ao sorrir das manhãs...", e quer dizer também que Alagoas é uma das unidades da Federação Brasileira.


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.