domingo, 31 de agosto de 2014

O Governo de Muniz Falcão e o Impeachment


Afrânio Lages era um legítimo representante das oligarquias alagoanas e candidato de Arnon de Mello, que no ano anterior, no auge de sua popularidade, chegou a declarar que elegeria até um poste.    A campanha foi bastante disputada. Muniz Falcão era atacado como o forasteiro. Contra Afrânio Lages pesava a sombra de fascista, dado ao seu passado de integralista. O resultado da eleição chegou a ser surpreendente e confirmou as fortes raízes do populismo, especialmente na capital, onde Muniz venceu com o dobro de votos.  Líder carismático, como delegado do trabalho destacou--se por posições a arrojada no cumprimento de suas funções. Por outro lado, sua vitória nunca seria bem aceita pela elite local. Liderada por Arnon de Mello e Rui Palmeira, a UDN, principal força de oposição, mobilizou-se para combater o governo populista de Muniz, que, inicialmente, se viu diante do desafio de sanear as finanças públicas e adequar à máquina administrativa à realidade. Arnon havia deixado de herança uma pesada dívida. Algumas de suas ações administrativas e sua postura personalista, própria dos populistas, serviram para aumentar à ira das oligarquias alagoanas que procuraram sabotar seu governo.

Dois episódios são estrategicamente trabalhados nesse sentido:
O primeiro deles foi, em outubro de 56, a proposição de um projeto de lei que instituía:
A Taxa Pró-Economia, Educação e Saúde. Através dessa lei, que incidia sobre amplos segmentos da classe empresarial, o governo visava aumentar a arrecadação e ampliar os investimentos nas áreas sociais.
O segundo episódio foi o assassinato do deputado arapiraquense de oposição Marques da Silva, em 7 de fevereiro de 57. O crime, cuja ocorrência já havia sido anunciada cinco meses antes pela própria vítima, teve como principal suspeito o também deputado estadual Claudenor Lima, aliado do governo.
   O crime de Marques da Silva criou um clima de comoção, repercutiu nacional e internacionalmente, e serviu como pretexto para o pedido de impeachment do governador,  Feito pelo deputado Oséas Cardoso e relatado por Teotônio Vilela, ambos os deputados pela conservadora UDN. O processo se desenvolveu em tempo ímpar, apesar da ocorrência de diversas manifestações populares em todo o Estado contrários ao impeachment.

O Impeachment


Na tarde de 13 de setembro de 1957, a história política de Alagoas viveu o seMárcio Moreira Alves, enviado para cobrir a sessão, feridos a bala. O deputado Humberto Mendes, sogro do governador, morto com um tiro nas costas. O impeachment de Muniz Falcão não pode ser encerrado a fatores locais, mesmo que tenha sido noticiado lá fora como apenas mais um ato da selvageria política de Alagoas.
u mais sangrento episódio. A sessão de votação do impeachment do governador Muniz transformou-se num tiroteio de cerca de 40 minutos. Estima¬-se que Cerca de mil tiros foram disparados. O saldo trágico: quatro deputados, um funcionário da Assembleia Legislativa e o jornalista carioca,
Os acontecimentos daquela tarde sangrenta atenderam a interesses de forças políticas em disputa pelo controle político do Estado e do País. Além disso, incorporou fielmente elementos da Guerra Fria. O discurso anticomunista fez parte da tática golpista desde o primeiro momento. O ocorrido repercutiu mundialmente.
    Muniz Falcão recorreu da decisão do impeachment e em 24 de janeiro de 58 reassumiu ovacionado o governo. No segundo período do seu governo, Muniz adotou uma postura político-ideológica diferente, ampliando suas bases de apoio no meio do pequeno e do médio empresariado, fortalecendo alianças com caciques políticos nos municípios e fazendo concessões no sentido de garantir uma base parlamentar sólida.
Entre as realizações de seu período destacam-se:
·         A elaboração do Plano Diretor do Desenvolvimento de Alagoas e do primeiro Plano de            Eletrificação do Estado.
·          A criação da Companhia Energética de Alagoas (CEAL) .
·          Departamento Estadual de Educação e Cultura.
   Seu governo foi contemporâneo do surto desenvolvimentista de JK. Nesse período, ganhou corpo à exploração de petróleo em Alagoas pela Petrobrás, empresa da qual foi um defensor.
A divisão na base de apoio do governo possibilitou a vitória do major Luiz de Souza Cavalcante, candidato do PL e apoiado pela UDN, que indicou Teotônio Vilela para vice. Dado o caráter conservador de seu governo, Luiz Cavalcante (1961-1966), foi um dos primeiros a declarar apoio ao golpe militar e, junto com usineiros, fazendeiros e comerciantes, organizou um grupo aramado, com cerca de 10.000 homens, para dar sustentação ao movimento golpista. Em seu governo foi criado o Banco da Produção (Produban) e o Instituto de Pensão e Aposentadoria dos Servidores do Estado de Alagoas (IPASEAL).

Nas eleições de 1965, apesar das pressões exercidas pelos militares e pelas oligarquias alagoanas, Muniz Falcão foi o mais votado para governador. Conforme as regras impostas pelos ditadores, o resultado da eleição deveria obter o referendo da Assembleia Legislativa. A eleição de Muniz não recebeu a confirmação dos deputados: foi um impeachment branco. Esta foi à última disputa na vida do líder populista, que faleceu no ano seguinte

Na tarde de 13 de setembro de 1957, a história política de Alagoas viveu o seu mais sangrento episódio. A sessão de votação do impeachment do governador Muniz transformou-se num tiroteio de cerca de 40 minutos.


Redemocratização: 1945 a 1964 O Governo de Arnon de Mello

A política desastrosa do governo Silvestre Péricles favoreceu a oposição na eleição de Arnon de Mello para governador, em 1950,num pleito marcado por tensões e mortes.

Essa eleição representou o fim de um ciclo na política alagoana: o domínio dos Góes Monteiro. Mas a vitória de Arnon não foi o fato de maior repercussão nas eleições daquele ano em Alagoas. A vitória do médico Ezequias da Rocha sobre o poderoso general Pedro Aurélio de Góes Monteiro na disputa da vaga para o Senado foi comentada em todo o País. O fato entrou para a história como uma das maiores surpresas da vida política alagoana e como uma brilhante demonstração da força do voto e como expressão da vontade popular.
Entretanto, o desgaste de Silvestre Péricles não impediu que o PST elegesse uma maioria parlamentar. Ari Pitombo e Muniz Falcão foram eleitos deputados federais e assumiram a liderança do populismo no Estado
.

Nas eleições de 50, Arnon foi eleito com uma mensagem de paz, salvacionista e modernizante. Vaidoso, centralizador e personalista, logo entraram em contradição.




Em 51, ao comprar o jornal Gazeta de Alagoas, tentou calar a oposição, que perseguia mandando prender jornalistas e acabar com comícios. Nascia um império de comunicação.
Em seu governo ocorreu:
•             À pavimentação da rodovia Maceió - Palmeira dos Índios.
•             A implantação do serviço de esgoto de Maceió.
•             A Cooperativa Agrícola Pindorama. 

Redemocratização: 1945 a 1964 e Governo de Silvestre Péricles

Os anos 50 foram especialmente intensos em Alagoas.

A vitória de Silvestre Péricles com sua plataforma populista foi um sinal do anseio por mudanças dos alagoanos. O momento histórico exigia um esforço de- inserção do Estado no movimento                   desenvolvimentismo em moda no Brasil desde os anos 30. Com atenção, vamos observar que este apelo popu­lar vai se verificar outras vezes na recente história de Alagoas.
Que era predominan­temente rural. A urbanização avançava rapidamente. Os benefícios sociais eram poucos. Apenas 3,86 por cento dos domicílios tinham Água encanada e só 9,58 por cento energia elétrica.

A economia conti­nuava assentada no plantio da cana e na produção do açúcar. A cultura do fumo adquiria força. A migração para o eixo Rio-São Paulo era um fenôme­no crescente.

O governo Silvestre Péricles foi marcado pela prepotência e pela intolerância.

Muitos foram os conflitos envolvendo o governador e a oposição. Os deputados comunistas eram duramente perseguidos e chegaram a ser arbitrariamente presos e mantidos incomunicáveis por ordem do governador.
 O Tribunal de Justiça considerou a prisão ilegal. Esse fato desencadeou uma série de retaliações sobre o Poder Judiciário, que, alegando falta de segurança, suspendeu suas atividades por um período. A imprensa também sofreu a ira de Silvestre. O jorna­lista Donizete Calheiros foi seqüestrado e torturado por suas atividades no jornal de oposição Diário do Povo.

Entre as realizações da administração de Silvestre Péricles
Destacam-se:

·          Instalação da Rádio Difusora de Alagoas.
·           A criação do Corpo de Bombeiros

·          O serviço de água encanada da capital

O ESTADO NOVO EM ALAGOAS


Em 37, com a instalação do Estado Novo, a Câmara, o Senado e as assembleias estaduais 'foram fechadas. Na primeira etapa da década de 30, o governo procurou moldar o movimento sindical. Sindicatos e federações foram criados sob o manto do governo. As greves, porém, acontecem com independência. Entre as reivindicações da época destacam-se a luta pela garantia da jor­nada de oito horas de trabalho, por melhores condições de trabalho e por melhores salários. O setor têxtil era a principal força mobilizadora. Em Fernão Velho e Rio Largo localizavam-se os principais focos da justa rebeldia operária.

Na segunda etapa, a repressão promovida pela ditadura de Vargas aos movimentos sociais foi intensa, especialmente ao movimento sindical e aos comunistas. Nesse período, aconteceram prisões e até deportações de Alagoanos

Ismar de Góes Monteiro (1941-1945) substituiu Osman Loureiro. Em sua gestão combate a violência e a impunidade.

Outra tarefa importante foi a de implementar a fiscalização das leis trabalhistas. Para as duas graves tarefas trouxe assessores de outros Estados. Ari Boto Pitombo, delegado do Distrito Federal, assumiu a Secretaria do Interior e Justiça. Muniz Falcão, funcionário do Ministério do Trabalho, foi indicado delegado do Trabalho.
Na queda de Getúlio, Ismar é substituído por Edgar de Góis Monteiro na interventoria, que fica por um ano. O jurista Antônio Guedes de Miranda o substituiu.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

As mudanças dos padroeiros de Maceió de São Gonçalo a nossa senhora dos prazeres



O engenho Maceió tinha sua localização no sopé do planalto da jacutinga, (hoje ladeira da catedral) na configuração da sociedade colonial portuguesa no Brasil, existia a divisão social representada pela casa grande, o engenho, senzala e a capela, representada pela religiosidade portuguesa a religião católica, cujo padroeiro era na época são Gonçalo Amarante.
Em 1761 Proprietário do engenho Maçaió, O capitão Apolinário Fernandes Padilha fez a doação de um terreno para construção da capelinha hoje atual catedral metropolitana de Maceió no ano seguinte, a capela tinha devoção de Nossa Senhora dos Prazeres, segundo a Historiadora Isabel Loureiro em seu livro História de Alagoas “os devotos de são Gonçalo dirigiam ao seu padroeiro ,com hinos e louvores e também faziam homenagens a padroeira nossa Senhora dos Prazeres”
O que motivou a mudança do padroeiro são Gonçalo para nossa senhora dos Prazeres  segundo a lenda, o capitão Apolinário Fernandes Padilha, estava roçando milho na ladeira acima da capela quando avistou um navio quase naufragando, rogou  a nossa Senhora dos Prazeres, para que o navio chegasse  a salvo ao porto de Jaraguá; 
Conseguida a graça, O capitão Apolinário comprou  a imagem de Portugal, porem a imagem da santa não coube  no alta lateral  da capela ,então colocaram no alta central  e a imagem do padroeiro são Gonçalo foi para lateral.
As poucos o padroeiro são Gonçalo vai diminuído sua influencia religiosa, as festas em homenagem ao santo era feita em apenas uma vez por ano, na época do engenho Maçaió,      Já a nossa senhora dos Prazeres havia invocações e festas durante todo o ano, hoje a padroeira de Maceió é nossa Senhora dos Prazeres  que é comemorado no dia 27 de agosto segundo os preceitos da Igreja Católica Romana.           

PROF: André Cabral.



segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Alagoas: Capitania hereditária é a razão de seu atraso e miséria // IREMAR MARINHO

As causas da miséria secular de Alagoas passam ao largo das preocupações e propostas de compromissos dos candidatos melhor avaliados nas pesquisas eleitorais para governador: Benedito de Lira e Renan Filho. Quando muito, se pronunciam sobre a violência que
atormenta a sociedade, prometendo paliativos que sequer arranham o que seria necessário para proporcionar tranqüilidade à população e perspectivas para o crescimento humano.
Esses candidatos são bons pais, maridos, irmãos e amigos, mas nenhum deles morre de amores pela população alagoana ao ponto de ousar o compromisso de romper com a forma de governar o Estado, contando para isto com o mesmo teor de omissões nas promessas de atuação dos candidatos aos cargos parlamentares, nos níveis estadual e federal, com as raras exceções de praxe.
Lastimavelmente, tem sido assim, durante todo o período republicano, com os cargos políticos e os mandos passando de pai para filho, como se o Estado fosse uma capitania hereditária, vivendo-se ainda no tempo do Brasil colônia. Está nessa distorção política, que faz de Alagoas um feudo de famílias, uma das principais causas do nosso atraso e da nossa miséria.
Uma melhora considerável de padrão de vida se verifica em parte da população alagoana vitimada pela miséria, como conseqüência de políticas sociais adotadas pelo governo federal. É evidente que parte desse benefício é devolução do que o Estado contribui em impostos para o bolo da União. Entretanto, o que se reivindica é que Alagoas passe a andar com suas próprias pernas, deixando de depender do socorro externo, quando reúne condições de se re-arrumar no rumo à autonomia, como fizeram outros Estados da região Nordeste.
A razão do feudo político alagoano é a monocultura da cana-de-açúcar, que gera ao mesmo tempo a concentração de rendas nas mãos de poucas famílias, a fragilidade social e a sustentação da estrutura de poder, em todos os níveis. Nenhum desses candidatos, produzidos e atrelados a essa estrutura econômica está interessado em mudar as regras do jogo, contanto que a população continue dócil e servindo como massa de manobra para manter a aparência de democracia.
Espera-se o tempo em que a sociedade alagoana seja conscientizada dessa sua fragilidade econômica e social e chame para trabalhar suas melhores inteligências, na tarefa de mudar a estrutura econômica e a prática política medieval. Precisamos reunir condições para que o historiador gaúcho Décio Freitas, que estudou com afinco a sociedade alagoana, seja desmentido em seu pressuposto de que aqui predomina a oligarquia imortal, que já foi enterrada na maioria dos Estados do Nordeste.