terça-feira, 25 de dezembro de 2012

FOTOS DA HISTÓRICA CIDADE DE PENEDO -AL














                               Fotos:Prof. André Cabral   janeiro de 2001.

sábado, 22 de dezembro de 2012

SETOR É PRIVILEGIADO QUASE EXCLUSIVAMENTE


Os Primeiros núcleos de povoamento



Os Primeiros núcleos de povoamento

Alagoas nasceu sob o signo de luta que se transformou em resistência e vida. Após a fase da extração do pau-brasil, madeira abundante, que atraiu a presença francesa, as feitorias, as expedições exploradoras e guarda-costas, e das bandeiras de apresa­mento dos indomáveis caetés, passando a viver a experiência de uma colonização baseada na exploração da cana de açúcar e da criação de gado. Das feitorias estrangeiras restam à longínqua lembrança da presença francesa em vários pontos da costa alagoana, prin­cipalmente em Paripueira, Coruripe, São Francisco e a maior delas no território do atual município de Marechal Deodoro, na famosa praia do Francês ou Dos Franceses

Distribuição das Terras

Pacificado o território da donataria em seu lito­ral sul, Duarte Coelho Pereira iniciou a distribuição das terras do Cabo Santo Agostinho para baixo, começando a surgir ali vários engenhos de açúcar. A colonização do antigo território caeté, agora a parte austral da Nova Lusitânia, partiu de três núcleos de povoamento. O primeiro, tendo Porto Calvo como foco; o outro, em torno das lagoas grandes, Mundaú e Manguaba, chamadas respecti­vamente de lagoas do Norte e do Sul, que fez flo­rescer os povoados de Santa Maria Madalena da Lagoa do Sul (atual Marechal Deodoro) e Alagoas do (atual Santa Luzia do Norte) e, finalmente, o ter­ceiro, mais ao sul, tendo como centro Penedo. A irradiação inicial desses três núcleos, fundamenta­dos os dois primeiros no plantio da cana de açúcar, dos engenhos e o terceiro, nos currais, na pecuária, permitiu o início do processo de colonização.

Expulsão de indios

Segundo Álvaro Queiróz, "o povoamento do norte de Alagoas começou com a bandeira capita­neada por Cristovão Lins, entre 1575 e 1585. Esta expedição expulsou os índios potiguares das suas terras, escravizando aqueles que foram capturados vivos". A expansão do território conquistado pelo fidalgo Lins, origem de um dos clãs mais destaca­dos de Alagoas, compreendia uma enorme região que alcança vários municípios do norte hoje, como Porte Calvo, Porto de Pedras, Camaragibe, Maragogi Colônia Leopoldina e São Luís do Quitunde. Nessa enorme sesmaria surgiram inicial­mente sete engenhos, um pujante pólo açucareiro. Deles o Escurial, em Porto Calvo, e Buenos Aires, em Camaragibe, foram os mais destacados

DESAFIO É MANTER OS HERDEIROS NO PODER


O Bispo Sardinha e os caetés



O Bispo Sardinha e os caetés

Embora haja historiadores, como Moacir Pereira, que refutem a localização do epi­sódio em nossas plagas, o naufrágio da nau Nossa Senhora da Ajuda, ocorrido a 16 de junho de 1556, que conduzia o bispo dom Pedro Fernandes Sardinha, redundando no aprisionamento e devoramento em terra pelos caetés de todos os tripulantes salvos das águas procelosas dos baixios de Dom Rodrigo, em Coruripe, serviu de pretexto para uma verdadeira guerra santa contra os nativos. Alagoas foi palco de um verdadeiro genocídio, pois um édito real condenou os caetés ao massacre e ao cativeiro
      




Versões contraditórias

Algumas versões sem consciência documental diziam que o chefe religioso e sua comitiva foram mortos por soldados do Governador Geral, uma vez que o bispo se dirigia a Lisboa para formalizar acusação contra o dirigente dom Duarte da Costa e seu filho, que entraram em irreconciliável confli­to. Havia ainda grande interesse pelas férteis terras do sul da capitania de Pernambuco, exatamente Alagoas, onde os caetés não aceitavam de bom grado, como outras tribos, a tomada de suas terras por invasores. Tropas aguerridas, bem armadas, formadas por portugueses e índios inimigos dos belicosos caetés garantiam as semarias oferecidas aos estrangeiros, matando sem tréguas os indígenas que resistiam à invasão

Como começaram as crises

Duarte da Costa, o governador geral, no poder até 1558, tinha plenos poderes dados pela Corte, graças a Tomé de Souza, seu protetor, mas nenhu­ma liderança. O fato se agravava pelo comporta­mento do filho do governador, Álvaro da Costa, solteiro, abusado, violento, que não hesitava em incendiar aldeias indígenas inteiras apenas para demonstrar força.
Em um sermão público onde condenava os excessos do jovem, dom Pero Fernandes Sardinha viu o feitiço virar contra o feiticeiro. Começaram prisões arbitrárias e violentas, até de religiosos, que apelavam ao bispo para acabar com as violên­cias.
Dom Pero decide ir ã Corte em 1556, mais para dar satisfações do que para pedir ajuda. Mas seu navio naufragou - ao que tudo indica - no litoral alagoano, e ele teve que nadar até a costa, onde foi tomado prisioneiro e, em um ritual cani­balesco, devorado pelos índios.
Sem habilidade diplomática e favorável à escravização dos nativos, o governador Duarte da Costa permitiu que seu filho Álvaro guerreasse os índios, incendiasse aldeias e se vingasse contra os indígenas.

A chamada guerra justa

O açúcar substitui o pau-brasil, que necessitava da cooperação indígena nas décadas iniciais, e agora era preciso expandir o plantio da cana e exterminar os ariscos gentios. A cruel guerra justa dizima os caetés e empurra os remanescentes para o interior. Afinal quem eram esses silvícolas, famosos, pela sua valentia, pela antropofagia, quê deu a nosso Estado hoje a denominação de terra dos caetés?
Oriundos do tronco tupi, parentes dos tupinaés e tupinambás, a palavra caeté (cau-eté) significava mata primitiva constituída das árvores gigantescas da nossa mata atlântica. Descendentes de um ramo dos tupinambás que desceram a famosa Ópera até a sua foz, indo pelos cânions do Velho Chico até o rio Coruripe, onde os peixes ganha­vam o mar após a desova, eles passaram pela série de pequenas lagoas, o rio São Miguel e o Roteiro até se depararem com a Manguaba e a Mundaú, e daí até a fronteira de Pernambuco.
     Cisão entre a caetés

Segundo Moacir Pereira "ainda no século XY houve uma cisão entre os caetés, sendo que um grupo deles ocupou uma parte do nordeste per­nambucano, separando-se do núcleo da nação, transformando-se os dissidentes em Tabajaras e avançando para o norte, chegando até o Ceará e o Maranhão". A sangrenta Guerra dos Caetés, liderada por Jerônimo de Albuquerque, durou quase cinco anos e a população daquela época seria a de uns 80.000 índios. Como resultado da guerra despovoou-se o território e provocou a vinda do braço negro para o florescente pólo açu­careiro da Nova Lusitânia, agora livre dos verda­deiros donos da terra. Edificava-se o latifúndio, a sociedade dos engenhos, da casa grande e da senzala.


A deserdem criada por um governo incompetente e omisso

Entre os dois governos rígidos e austeros impostos por Tomé de Souza e Mem de Sá, o Brasil esteve entregue à incompetência de Duarte da Costa, o segundo governador-geral da colônia. Senador em Lisboa, Duarte deixou a Corte para chegar ao Brasil em maio de 1553, com seu filho dom Álvaro e mais 260 pessoas, entre elas o noviço José de Anchieta.
Um conflito entre dom Álvaro e o primeiro bispo do Brasil, dom Pero Fernandes Sardinha provocou a desordem e a anarquia dos cinco anos seguintes. Dom Sardinha queria apresentar suas queixas ao rei, razão pela qual embarcou em maio de 1556 na nau Nossa Senhora da Ajuda, rumo a Portugal.·A embar­cação naufragou e dom Pero mais 91 náufragos foram massacrados e devorados pelos caetés. Como revide, Mem de Sá autorizou o massacre dos caetés.
A administração nefasta de Duarte da Costa veio somar-se o dilema da chegada de Nicolas Villegaignon e 80 franceses ao Rio de Janeiro, dispos­tos a fundar a França Antártica. Duarte da Costa pre­feriu a omissão ao confronto.
Após três governos-gerais, a Corte viu a dificul­dade de um homem só administrar. O Brasil foi divi­dido, com o governo do Sul no Rio de Janeiro, para a área de Porto Seguro para baixo, e o governo do Norte em Salvador, para o resto do País. Em 1578, foi tudo novamente unificado, e assim ficou até 1719.

 Prof. Luciano cavalcante

USINEIROS NO PODER


RANKING DAS 10 MAIORES GRUPOS ALAGOANOS


ORIGEM DA ECONOMIA DE ALAGOAS


domingo, 16 de dezembro de 2012

A PRÉ HISTÓRIA ALAGOANA



Alagoas antes de Cabral

Se pouco sabemos sobre os índios que foram encontrados por ocasião dos contatos com os europeus a partir do século XVI, imagine-­se dos nossos ancestrais que viveram aqui antes de abril de 1500. Aprendemos algu­mas coisas com os cronistas da época, nar­rações que passaram de geração em gera­ção, mas sem que fossem transmitidos em maior profundidade aspectos essenciais da época pré-cabraliana. Quase nada nos foi contado sobre essa gente. Se os seus descendentes da época dos primeiros colonizadores foram rapida­mente absorvidos como escravos ou marginalizados pelo domínio europeu, hegemônico, o que temos então da pré-história alagoana? Seria assim tão des­prezível essa tradição de tantos e tantos anos, quan­do se tem certeza da presença do homem pré-históri­cos nas plagas nordestinas em épocas pleistocênicas, anteriores a 12.000 anos, antes do presente, assina­lados nos vizinhos território da Bahia e do Piauí? Temos sim nossos sítios arqueológicos, nossa arte rupestre já identificada nos cânions sanfranciscanos, marcas de desenho na tórrida solidão dos nossos sertões ou nos sambaquis da região lacustre e cos­teira. O nosso acervo arqueológico, enriquecido recentemente pelas escavações feitas sob a respon­sabilidade da Chesf, ainda está para ser desvendado na sua plenitude. Em pré-história conhecem-se os vivos pelos mortos.


E preciso uma ação mais efetiva para conhecermos as diversas expressões do homem antes da influência do europeu, ou seja, conhecer nossos antepassados antes da chegada aqui da cruz de malta das naus cabralina.

Quais os registros iniciais desta fase?

 Há notícias de esqueletos de animais pré-históricos petrificados em Santana do Ipanema, Viçosa e São Miguel dos Campos, estando um dos maxilares desses animais sob a guarda do Instituto Histórico e Geográfico Alagoano. O cientista norte-americano John Casper Branner, que esteve entre nós no século passado realizando pesquisas, publicou em 1902 uma memória que trata da existência de inscrições rupes­tres de nossas avós índios e registro de fósseis de grandes animais nos sertões de Alagoas e Pernambuco.

 Ossadas fósseis foram encontradas­ no povoado de Meirus, em Campo Alegre, e até na capital, na rua do Comércio. Quando de esca­vações feitas pela municipalidade foram encontra­dos ossos animais e humanos, recolhidos por Dias Cabral.

Inúmeras inscrições rupestres foram assina­ladas em cavernas de Viçosa, Capela, Atalaia, Porto de Pedras, Anadia, Palmeira dos Indios e na Bica de Pedra, nas proximidades de Maceió. O famoso explorador inglês Richard Francis Burton, em excursão realizada em 1867 em companhia de sua mulher Isabel e do engenheir9 Carlos Krauss, encontrou em Piranhas e Olho D' Água do Casado inscrições pré-históricas nas pedras daquela região.
Igualmente as trempes, pedras de equilíbrio e as pedras de sino, foram achadas no sertão. Alfredo Brandão, em sua obra Viçosa de Alagoas, menciona um dólmen encontrado no engenho Mata Verde, em Viçosa, além de outras peças catalogadas por aquele estudioso. Mario Marroquim, ao longo de suas viagens pelo interior, colecionou inúmeros artefatos da pré-história alagoana que foram ofertados pelos seus descendentes ao Instituto Histórico Alagoano. Brandão ainda registra a presença das chamadas chãs de cacos, restos de cerâmica primitiva, em vários municípios do interior. Da mesma forma que sabemos da exis­tência de sambaquis e ostreiras, ou seja, depósitos arqueológicos costeiros formados em épocas ime­moriais De onde vieram as nossas tataravós pré- históricos? Quais as estratégias usadas por eles que permitiram a sua sobrevivência? Quais as suas influências étnicas e culturais? Polinésios, autóctones, povos asiáticos que vieram através do Estreito de Bering? Há indícios, vestígios, possibilidades, bem como hipóteses e até versões fantasiosas como a que a origem seria a de navegadores fení­cios, cretenses ou egípcios, povos dados a aventu­ras marinhas e ao comércio na antiguidade. A grande verdade é que há muito campo para pes­quisa a nenhuma certeza absoluta sobre o assunto.


 Por Luciano cavalcante.

OS PRIMITIVOS ALAGOANOS



Os grupos e sua localização
Dois de nossos estudiosos mais antigos, Thomaz Espíndola e Adriano Jore, assinalaram no século XIX que as tribos mais importantes que viviam em nosso território eram as dos Potiguaras, os Tabajaras, Os Caetés, os Abacatiaras, os Aconans, os Cariris, os Coropatis, os Mariquitos, os Xucros, os Homens, os Volver, os Chocos, os Pipia nos, os Coropotós e os Carijós.
Ø  Segundo esses autores a Caetés ocupava o litoral desde o São Francisco até Igarassú, em Pernambuco.
Ø  Os Potiguaras dominavam do território de Porto Calvo até o Cabo de Santo Agostinho.
Ø  Os Abacatiaras residiam nas ilhas do rio São Francisco. 

Ø   Aconans Cariris, Coropatis e Carijós viviam também nas proximidades desse grande rio, principalmente Penedo.

Ø  Os Carapotós nas proximidades da Serra Cumanati, que se situa em território pernambucano.

Ø  Os Xucurus em Palmeira dos índios e finalmente Umans, Pipianos, Vouvés e Chocós se estendiam pelo sertão para os lados do rio Ipanema e da região serrana de Mata















Por LUCIANO CAVALCANTE